Mariana Paz estreia em grande estilo com dois potentes e originais livros de poemas, publicados pela Editora Nós

O Sempre Um Papo recebe a poeta Mariana Paz em uma edição especial, somente com autógrafos, no dia 7 de dezembro, terça-feira, das 19h às 21h,  na Livraria Quixote, para lançamento de “A Matéria mais suja do dia” e ”Verbo do Rio”. Dois livros de poemas que se encontram e desaguam numa torrente original e poderosa. Essa é uma das sínteses dos livros que marcam a chegada da poeta e artista plástica mineira Mariana Paz ao cenário editorial nacional. 

Escritos em momentos distintos da vida e do amadurecimento poético, as obras testemunham o nascimento de uma poeta consciente do seu fazer literário e em diálogo com um dos territórios mais férteis da produção literária brasileira. Pois é do solo e das águas de Carlos Drummond de Andrade, Adélia Prado e Ana Martins Marques que brotam as flores de pedra de Mariana Paz. 

Na bandeira em tecido que acompanha a obra, a poeta expõe seu modo poético: “A escrita é a casa onde recebo a todos e a tudo o que me visita.” Nas palavras de Afonso Borges, curador do Fliaraxá e do Flittabira, além de fundador do programa Sempre um Papo, “a poesia de Mariana Paz crava séculos de palavras na alma. A força de suas imagens deixa em vertigem perpétua os dias e as noites. Constrói e destrói, elabora e semeia; sensibiliza e movimenta; delira e transcende. Transcende até os sentidos se tornarem metafísica. E voltar a ser, em moto contínuo, um poema. Com os séculos de palavras cavados na alma”.

MATÉRIA MAIS SUJA DO DIA, de Mariana Paz 

“entre o chão e a relva/ entre a rocha e o anjo/ morre a morte/ morre o sepulcro de pedra/ a luz treme/ a rocha forja/ o musgo nasce” 

Como tudo na poesia de Mariana Paz, este pequeno poema é um enigma, esfinge mineira, e, ainda que não a decifre, deleite-se. 

A matéria inegável de seus substantivos indiscutíveis – chão, rocha, pedra, morte – pavimentam o solo da poesia, de algum modo metafísica – pois vai além, desdobra-se da matéria, emoldura-se num horizonte de montanhas de ferro e profundezas de aço. 

No cenário seco do cemitério evocado no poema, anjo é de pedra e até a morte morre repetidamente, mostrando que, no reino das palavras, esses pequenos milagres metafísicos, até a morte tem fim. 

Mas não se engane pelo cenário, pela dureza da pedra: ali, a rocha também é anjo, a luz treme – e quem há de negar que movimento é vida – e entre o engenho humano que forja a rocha, vejamos: “o musgo nasce”. 

Frescor e sombra, alento e alívio. A explosão poética silenciosa e contida de Mariana – e como fugir da palavra “lapidada”? – trará surpresas e caminhos para o leitor. Fique à vontade, vá e volte: os caminhos da poesia estarão sempre abertos.

VERBO DO RIO, de Mariana Paz 

A expressão “verbo do rio” tem, além da bela sonoridade, uma brincadeira que só uma poeta como Mariana Paz poderia fazer. Rio, se é palavra que traz águas caudalosas, passagem, nunca o mesmo, como disse Heráclito, também é o presente indicativo do verbo rir. O verbo do rio é, pois, movimento, passagem e ação. Mas também, nas entrelinhas, emoção – rir, um riso silencioso e calmo, engenhoso e inteligente, mas cheio de ternura, pois nunca gargalhada sonora, mas um riso de satisfação do sentir mais íntimo, do poema sussurrado, lapidado até que sobre só a carne, ou melhor, só o osso.  

Assim, de cálcio e força, de apuro e apelo, é a poesia de Mariana Paz. Pequenas esculturas esculpidas no mais fundo de nós, esse fundo que é sentimento e ideia, pérola pescada no mar de tanto ruído, flor que brotou, não no asfalto, como a do outro poeta, mas no solo seco depois de tanta cultura. E é óbvio e lindo, para quem a lê, que o solo de Mariana é cultivado com um sentir incessante e carpido com cuidado de arquiteta.  

Abra, pois, este livro com olhos e sentidos atentos. Sem pressa, pisando devagar. Respire fundo e pronto – como Mariana nos ensina, é assim que a poesia vem.

Sempre Um Papo com Mariana Paz

Dia 7 de dezembro, terça-feira, das 19h às 21h

Livraria Quixote – Rua Fernandes Tourinho, 274 

Savassi – Belo Horizonte / MG

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