Lançamento do livro sobre mulheres das comunidades quilombolas – 26/06

A doutoranda no Programa de Pós-graduação em Psicologia da UFMG, Amanda Veiga, integrante da Coletiva Urucum e Girassol e Conexões de Saberes da UFMG, lança o livro Escrevivências da pesquisadora negra e das mulheres quilombolas associadas à Comissão das Comunidades Quilombolas do Vale do Jequitinhonha – Coquivale: – e o acesso aos direitos educacionais. O lançamento ocorrerá no dia 26 de junho de 2026, às 20h, no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional da Lagoa do Nado, como parte da programação do Noturno nos Museus – iniciativa da Prefeitura de Belo Horizonte que abre museus da cidade durante uma noite, com o objetivo de promover o acesso a esses espaços.

O livro é fruto da dissertação de mestrado defendida pela pesquisadora, sob a orientação da professora Claudia Mayorga, do Departamento de Psicologia da UFMG. A pesquisa analisou o acesso ao direito educacional da pesquisadora e das mulheres quilombolas por meio das narrativas de vida de mulheres do Vale do Jequitinhonha e suas práticas de luta contra o epistemicídio que apaga as intelectualidades das populações negras em nível global.

A escritora Conceição Evaristo foi quem cunhou o termo “escrevivências”, que tem sido utilizado nas ciências sociais como uma metodologia qualitativa, implicada e com posicionamento político contra o sistema hegemônico opressor. A escrevivência deslumbra a potencialidade de mulheres negras, ao construírem suas próprias narrativas e da população às quais pertencem, retomando e produzindo ciência.

A pesquisadora se define como uma mulher negra da roça, do Vale do Jequitinhonha, engajada nas lutas da população quilombola. O próprio corpo, intelecto e vivências tomaram a cena da pesquisa, à medida que a escrita convocou o desnudar da realidade do se tornar pesquisadora da roça, psicóloga, e a aproximação do movimento quilombola convocou seu posicionamento ético-político na trincheira acadêmica e profissional de luta com os povos quilombolas e indígenas.

O direito educacional abriu caminhos para apresentar ao interlocutor o Vale do Jequitinhonha por lentes de quem a ele pertence: o corpo-território de cada mulher, proprietária das narrativas, das dores, das alegrias e dos direitos básicos negados. As reflexões, os não ditos, os silêncios e os gritos são feitos ao longo de todo o texto e serão capturados pelos pesquisadores, ativistas e leitores. Nas considerações finais, uma carta de compromisso ético-político é apresentada como sugestão de novos temas de pesquisas e ações, pensando no desenvolvimento da Psicologia, bem como em outros campos científicos.