“Inverno Estelar 2026” ocupa casarona com arte, cultura e memória – 10 a 30/06

De 10 a 30 de junho, programação reúne exposição, teatro, dança, feira, rodas de conversam residência artística, lançamento de livro, visitas guiadas e oficinas

Arte, patrimônio, memória e convivência comunitária se encontram mais uma vez no “Inverno Estelar 2026”. Entre os dias 10 e 30 de junho, o Espaço Comum Luiz Estrela promove uma intensa programação cultural que transforma a histórica casarona da Rua Manaus em um território vivo de criação, formação, encontro e celebração. Ao longo de três semanas, o público poderá participar de exposições, espetáculos, residências artísticas, feira de pequenos produtores, festas populares, rodas de conversa, visitas guiadas, lançamento de livro e atividades continuadas que reafirmam a vocação do Estrela como um espaço cultural comunitário construído coletivamente.

A edição deste ano acontece em um momento especialmente simbólico para o coletivo: a implementação do sistema de prevenção e combate a incêndio e pânico da casarona, realizada por meio do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. Uma das mais importantes conquistas desde o início da ocupação do imóvel, em 2013, a melhoria representa um avanço decisivo no processo de restauração comunitária do patrimônio histórico e fortalece as condições de segurança, permanência e acesso para artistas, estudantes, moradores e visitantes.

Mais do que um festival, o “Inverno Estelar” apresenta ao público um retrato da dinâmica cotidiana do espaço: um organismo coletivo em permanente construção, onde arte, educação, cuidado e participação popular caminham juntos.

Uma programação construída por muitas mãos

Diferentemente dos festivais convencionais, a programação do “Inverno Estelar” nasce dos próprios vínculos que atravessam o espaço. Artistas, pesquisadores, produtores culturais, educadores e coletivos parceiros constroem conjuntamente as atividades que ocupam a casa ao longo do mês.

Segundo a artista e produtora Luciana Lanza, integrante do coletivo, essa diversidade é justamente uma das marcas mais importantes do projeto.

“A programação não foi idealizada por uma equipe gestora de um festival. Ela foi construída a partir da necessidade e da vontade das próprias pessoas que procuram o Estrela para realizar coisas juntas. O que vemos aqui é uma verdadeira coreografia de movimentos sociais e culturais ocupando e cuidando da casarona. Uma espécie de ‘coreografia do impossível’, sustentada pela autonomia, pela presença e pela consciência coletiva”, afirma.

A programação reúne diferentes linguagens artísticas e práticas comunitárias, passando pela palhaçaria, dança, teatro político, literatura, cultura popular, museologia social, formação corporal e manifestações afro-brasileiras.

Memória viva e futuros possíveis

Um dos destaques desta edição é a exposição “Constelações: experimentos e partilhas em torno de um museu estelar”, desenvolvida pela 14ª turma de Museologia da UFMG em parceria com o coletivo do Estrela.

A mostra propõe um olhar sensível sobre a história da casarona e do território, transformando rachaduras, marcas do tempo e vestígios da ocupação em mapas simbólicos de memória e resistência.

Para Luciana Lanza, o diferencial da exposição está justamente na forma como ela conecta passado, presente e futuro. “Muitas pessoas já pesquisaram a história deste patrimônio histórico de Belo Horizonte. O diferencial desta exposição é expandir a narrativa da dor e do sofrimento que esse território carregou para olhar também para o presente e para o futuro. Ela mostra o que foi realizado nesses 13 anos de restauração por meio de uma militância artística e comunitária e aponta possibilidades que já estão sendo plantadas hoje”, destaca.

A exposição integra um conjunto de ações voltadas à democratização do acesso à cultura, incluindo visitas guiadas para estudantes da rede pública e atividades com acessibilidade em Libras.

Arte que nasce da ocupação

Nas artes da cena, o “Inverno Estelar” apresenta projetos desenvolvidos por artistas que acompanham a trajetória da ocupação desde seus primeiros anos.

Entre os destaques está a residência “Comicidade e Pretitude”, conduzida pelo palhaço João Artigos (RJ), que investiga a construção da cena cômica a partir de perspectivas afrocentradas, pesquisa-ação produzida por Jovi Maia, ator-palhaço-advogado do coletivo.

A programação também inclui apresentações de “ANTRÓPODES”, espetáculo itinerante de dança-teatro criado em coprodução entre o Espaço Comum Luiz Estrela e o centro cultural colombiano “La Futileria”, com apoio do Fundo Iberescena.

Outro momento aguardado é o retorno da “Assembleia Comum”, dispositivo cênico da Trupe Estrela que marcou a trajetória do coletivo entre 2015 e 2019, e volta ao público em nova temporada.

“Essas ações revelam que o sonho de criar uma casa capaz de acolher processos artísticos diversos se concretizou. Temos aqui palhaçaria, dança, teatro de agitação política e pesquisas que compartilham uma mesma estética e uma mesma filosofia porque nascem da relação direta com este território”, observa Luciana.

Fé na festa e construção de comunidade

O encontro entre a tradicional “Feira Estelar” e a “Festa de Santo Antônio” ocupa um lugar central na programação e reafirma uma das filosofias que atravessam a história da ocupação: a crença na potência do encontro.

Agricultura familiar, artesanato, moda circular, cosméticos naturais, comidas compartilhadas, quadrilha, forró, música e poesia transformam a casarona em um espaço de convivência aberta à cidade.

“Uma das filosofias mais importantes da ocupação é a fé na festa. É na festa que a gente se encontra, olha no olho, brinca, sonha junto. Muitas ideias surgem nesses encontros. Muitos projetos começam depois de uma roda de conversa, de uma dança ou de um almoço compartilhado”, afirma Luciana.

Patrimônio em processo

Ao completar mais de uma década de atuação, o Espaço Comum Luiz Estrela segue consolidando uma experiência singular de autogestão cultural em Belo Horizonte.

O “Inverno Estelar 2026” evidencia esse percurso ao combinar preservação patrimonial, formação cidadã, criação artística e participação popular em uma mesma programação.

“Aprendemos que as coisas só acontecem quando existem pessoas interessadas em realizá-las. Autogestão demanda presença, consciência coletiva e respeito aos próprios limites e aos limites dos outros. Fazemos o que podemos com as ferramentas que temos, e isso já produz transformações muito importantes”, resume Luciana.

Mais do que celebrar conquistas recentes, o evento aponta para os muitos futuros possíveis imaginados coletivamente dentro da casarona. Como defendem os integrantes do Estrela, assim como não existe uma única versão da memória, também não existe um único futuro. O que existe são múltiplas possibilidades construídas por todas as pessoas que ocupam, cuidam, criam e sonham junto com o espaço.

O “Inverno Estelar 2026” acontece graças às iniciativas comunitárias de integrantes e parceiros do coletivo Estelar e também por meio dos projetos contemplados pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte: Projeto nº 0697/2023 – Patrimônio em Processo: Projeto de Combate à Incêndio e Pânico do Espaço Comum Luiz Estrela, e Projeto nº 0425/2024 – Manutenção Espaço Comum Luiz Estrela 2025.

Sobre o Espaço Comum Luiz Estrela

O Espaço Comum Luiz Estrela é um centro cultural comunitário, Ponto de Cultura e Museu de Território localizado em Belo Horizonte. Desde 2013, o coletivo ocupa e restaura de forma autogestionada uma casarona histórica na Rua Manaus, transformando o imóvel em um espaço de criação artística, formação, convivência, preservação patrimonial e participação popular. Ao longo de sua trajetória, tornou-se uma referência nacional em gestão cultural comunitária, articulando arte, educação, memória e cidadania em uma experiência coletiva de construção permanente.

“Inverno Estelar 2026”

Quando. De 10 a 30 de junho de 2026

Onde. Espaço Comum Luiz Estrela (Rua Manaus, 348 – São Lucas)

Quanto. Gratuito

Mais. Programação completa no Instagram do Espaço Comum Luiz Estrela

Destaques da programação

10 a 12 de junho

Imersão “Comicidade e Pretitude”, com João Artigos (RJ)

13 de junho | 10h às 17h

Feira Estelar + Festa de Santo Antônio + Sarau Comum

18 e 19 de junho | 19h30

Apresentações de “ANTRÓPODES” para escolas públicas

20 de junho | 10h

Roda de Conversa: Segurança Museal e Sistema @Anti-Incêndio da Casarona

20 de junho | 15h

Cozinha Comum convida Mag Magrela e Cris Tigra

20 de junho | 20h

Apresentação aberta ao público de “ANTRÓPODES”

21 de junho | 10h às 13h

Cerimônia Cacau e Clown, com Nirvana Celeste Cabrera

25 de junho | 15h – CRJ

Assembleia Comum – Trupe Estrela

26 de junho | 19h

Abertura da exposição “Constelações”

27 de junho | 10h às 13h

Lançamento do livro “Nas dobras da estória”, de Camila Nicácio

27 de junho | 15h – CRJ

Assembleia Comum – Trupe Estrela

28 de junho

Roda de Capoeira Angola

29 de junho

Visita guiada acessível em Libras à exposição “Constelações”