Peça de teatro e teatro de objetos será apresentada em sessão única no dia 6 de setembro de 2026, às 18h, na ZAP 18
A memória como território de disputa, afeto e reconstrução é o ponto de partida de O canto das cigarras, espetáculo argentino escrito e interpretado por Marcela De Grande, com direção de Germán Rodríguez, que chega a Belo Horizonte para uma apresentação única no dia 6 de setembro, domingo, às 18h, na ZAP 18.
Criado a partir de 24 histórias de vida de netos e netas restituídos pelas Avós da Praça de Maio, filhos de pessoas desaparecidas durante a última ditadura militar argentina que foram roubados ainda crianças e, em alguns casos, reencontrados por suas famílias quatro décadas depois, o espetáculo investiga as relações entre memória social, identidade e história.
A dramaturgia cruza essas histórias documentadas com lembranças da própria infância de Marcela De Grande, contemporânea das pessoas cujas trajetórias pesquisa. O resultado é uma obra que transita entre o teatro, o teatro de objetos e a música para abordar um dos episódios mais dolorosos da história recente da Argentina sem abrir mão da ludicidade, da delicadeza e do humor.
Em cena, o riso inocente do olhar de uma criança convive com as lágrimas provocadas pela consciência da dor, revelando como as grandes narrativas históricas também são constituídas por experiências íntimas, afetos e pequenos acontecimentos cotidianos. Ao aproximar sua memória pessoal das histórias dos netos restituídos, De Grande reflete sobre os modos como somos sujeitos produzidos pela história e agentes que participam de sua construção.
A peça também evidencia a importância da memória como ferramenta de resistência. Ao recuperar trajetórias de pessoas que tiveram suas identidades e vínculos familiares violentamente interrompidos pela ditadura, O canto das cigarras mantém em cena a luta das Avós da Praça de Maio pela verdade, pela justiça e pela restituição dos netos ainda desaparecidos.
A apresentação integra a programação da Ocupa ZAP 2026, iniciativa da ZAP 18 que, ao longo do ano, amplia o acesso à produção artística e promove o encontro entre artistas, públicos e diferentes linguagens da cena contemporânea. A apresentação do espetáculo argentino em Belo Horizonte reforça o caráter de intercâmbio da programação, aproximando o público de uma obra que articula teatro, memória, direitos humanos e as marcas deixadas pela ditadura militar argentina.
Selecionado pelo Instituto Nacional del Teatro da Argentina para sua produção, o espetáculo estreou em Brasília, em 2024, e já realizou mais de 40 apresentações em espaços culturais, salas de teatro, escolas de ensino médio e outras instituições na Argentina e no exterior. Entre março e abril de 2025, realizou uma turnê internacional com 11 apresentações na França, Espanha e Alemanha. Em outubro e novembro do mesmo ano, foi convidado por associações de defesa dos direitos humanos para se apresentar no espaço de memória ex-Pozo de Banfield e no auditório da Casa pela Identidade das Avós da Praça de Maio, no antigo complexo da ESMA.
SOBRE ZONA DE ARTE DA PERIFERIA – ZAP 18
Inaugurada em 2002, no Bairro Serrano, em Belo Horizonte, a Zap 18 diversifica suas atividades contínuas em 3 frentes: espaço cultural aberto para atividades diversas; coletivo teatral que investe no papel social e político da arte; e escola livre de teatro e outras expressões artísticas. Na área de arte-educação e formação continuada, o coletivo desenvolve, desde 2002, o projeto ZAP Teatro Escola & Afins, com oficinas de teatro para adolescentes e de capacitação para atores.
Através da programação, o espaço promove o diálogo entre artistas, a formação de público e o interesse pelas artes em geral. A produção artística do coletivo reflete a realidade da região onde se insere, pesquisando as relações entre teatro e realidade, através dos recursos do teatro épico, da performance e das histórias dos atores envolvidos. Já abordamos as questões da violência nas comunidades brasileiras com “Esta Noite Mãe Coragem”; a História recente do Brasil com “1961-2009”; a relação e a importância do futebol no seio da vida de uma família brasileira com “O gol não valeu!”; o caos urbano e as desigualdades de uma grande cidade com “Homem Vazio na Selva da Cidade”, essas e muitas outras histórias, que se equilibram no pêndulo entre o social e o pessoal, o íntimo e o coletivo, a macro e a micropolítica.
Além disso, a sede da ZAP 18 sempre recebe artistas para mostras, debates e trocas. O espaço, situado no bairro Serrano, fica a 13km do centro da cidade, e consequentemente distante dos espaços de fruição e debates culturais consagrados de Belo Horizonte. Ainda assim, o grupo e o espaço são constantemente procurados para abrigar trabalhos de outros grupos semelhantes. O edital OcupaZAP nasce do nosso desejo de organizar a demanda externa e também de realizar uma curadoria dos trabalhos que se apresentam em nossa sede. Em 2019, tivemos a primeira edição da mostra Aqui tem Arte!, que contou com quatros trabalhos de artistas do bairro Serrano e região. Uma forma de conhecer nossos vizinhos artistas e estabelecer novos elos e trocas.
Em 2026, a ZAP 18 realiza a Mostra Ocupa ZAP em duas edições. A primeira, em junho e julho, ofereceu ao público um recorte potente do que se produz nas Artes da Cena de Belo Horizonte, com seis espetáculos. Em outubro, estamos programando uma versão infantil da mostra com outros quatro trabalhos. E finalmente, ainda em novembro de 2026, teremos uma nova edição da mostra Aqui tem Arte!, valorizando e celebrando a potência das artes produzidas entre os nossos vizinhos das regionais Pampulha e Noroeste.
Em parceria com o Coletivo Conectores, a ZAP 18 idealiza e produz a Mostra de Teatro e Direitos – MOTEH. As duas primeiras edições, em 2016 e 2024, foram marcadas pela diversidade temática dos trabalhos apresentados, que versavam sobre os direitos humanos de grupos minorizados, como mulheres, pessoas negras, LGBTQIAPN+, indígenas, pessoas com deficiência e várias interseções.
FICHA TÉCNICA DO ESPETÁCULO
Dramaturgia e interpretação: Marcela De Grande
Direção: Germán Rodríguez
Música: Vida Leda dúo, sobre músicas de María Elena Walsh
Coach em teatro de objetos: Hernesto Mussano
Análise e pesquisa: Josette Halegoi e Marcela De Grande
Design gráfico: Pablo Archetti e Maitén López Braun
Instagram: @degrandemar
O canto das cigarras
6 de setembro de 2026, domingo, às 18h
ZAP 18 – R. João Donada, 18, Serrano – Belo Horizonte
Duração: 45 minutos
Classificação: livre a partir de 10 anos
Idioma: português
Entrada gratuita



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