Eleição para nova assessoria técnica no Rio Paraopeba teve início 06/02

Comunidades das Regiões 1 e 2 questionam a retirada da antiga assessoria sem consulta prévia e alertam para o histórico e a falta de experiência de entidades candidatas.

Teve início na última sexta-feira (6/2/26) o processo eleitoral para a escolha da nova Assessoria Técnica Independente (ATI) das Regiões 1 e 2 da Bacia do Rio Paraopeba.

A votação ocorre em meio a um clima de tensão e desconfiança por parte das comunidades atingidas pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, que criticam a forma como as Instituições de Justiça (IJ) conduziram a substituição da assessoria anterior.

A saída da Aedas, que atuava no território há sete anos, foi decidida pelas IJs sem consulta direta às populações atingidas, desrespeitando protocolos de povos tradicionais. O juiz do caso chegou a reconhecer a falta de isonomia nos recursos destinados à região, mas o calendário eleitoral foi mantido.

O Processo de Votação
A eleição será realizada em duas modalidades:

  • Virtual: De 6 a 11 de fevereiro, pelo site www.voteati.com.br.
  • Presencial: De 10 a 12 de fevereiro, por meio de voto em envelope nos territórios.

Independência em xeque: O perfil das candidatas

As comunidades expressam preocupação com a independência das entidades habilitadas. O principal temor é que a nova ATI possua vínculos com a mineradora Vale ou com o Estado, o que comprometeria a lisura do processo de reparação.

Entre as cinco entidades que disputam a vaga, os perfis variam entre organizações com histórico em grandes corporações e associações de base popular:

  • Fundação Israel Pinheiro (FIP): Alvo de maiores críticas devido à sua origem (fundada pelo criador da Vale), equipe composta por pessoas com histórico de atuação na Renova, Contratos anteriores com a mineradora Anglo American. A entidade já enfrentou ações judiciais por indícios de fraude em contratos públicos e má gestão.
  • Instituto de Referência em Resíduos (IRR): Questionado por suas ligações históricas com a gestão estadual, cuja política ambiental é criticada por movimentos sociais.
  • Fundação MDC: Entidade voltada ao ensino superior, sem histórico prévio de atuação em territórios atingidos por desastres socioambientais.
  • ADAI (Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual): Única candidata com trajetória consolidada em assessoria técnica independente. Atua no caso Mariana (Espírito Santo) e possui origem ligada aos movimentos de atingidos e ribeirinhos, sem vínculos com mineradoras.

Direitos em jogo

Para os representantes das comunidades, a escolha da ATI não é apenas um trâmite administrativo, mas uma decisão estratégica sobre o futuro da reparação. “A independência da assessoria é o que garante que a voz do atingido seja ouvida tecnicamente frente ao poder da mineradora”, afirmam lideranças locais.

As comunidades reforçam a importância da participação massiva na votação para garantir que a entidade escolhida tenha legitimidade e compromisso com a justiça socioambiental.

Assembleia realizada pelo MAB em São Joaquim de Bicas (MG) para informar sobre as eleições das novas Assessorias Técnicas nas regiões 1 e 2 da Bacia do Paraopeba. Foto: Patrícia Sousa