Edssada lança o disco solo “Observatório das Micro Belezas II”

Integrante e cofundador d’A Outra Banda da Lua, músico lança seu segundo trabalho solo, composto por nove faixas que transbordam a poesia e o som norte-mineiro

Andarilho do mundo, Edssada é um observador de detalhes. Integrante e cofundador d’A Outra Banda da Lua (primeiro grupo musical de Marina Sena), o cantor e compositor mineiro lançou nessa segunda-feira, dia 13 de abril, seu segundo trabalho solo, “Observatório das Micro Belezas II”. Disponibilizado nas plataformas digitais (escute o disco aqui), o disco chega dotado de uma poesia que só quem dança e vive com os pés no chão – e no mato – poderia criar. 

Filho do Vale do Jequitinhonha, mas radicado há anos em Montes Claros, Edssada se dedica a compor e pesquisa as veredas da cultura popular em diálogo com a world music. Quem reflete sobre isso é Vitor Oliva, escritor e amigo de Edssada – e mais um observador nessa história. Oliva aponta que em “Observatório das Micro Belezas”(2022)debut solo de Edssada,o artista já nos propunha uma comunhão da existência e uma possibilidade de vida por meio das canções”.

Agora, após viajar e viver pelo vasto território brasileiro, depois de ter feito encontros no caminho, “Ed aprofunda essa proposta revelando um lado mais fervilhante, celebrando a música, o ato de fazê-la, de tê-la por opção. Experimentar suas possibilidades e agregá-la à vida, se tornando a vida a própria música”.

O amigo observador também pontua que nesta nova fase, Edssada nos entrega “não só um disco, mas um patuá para a música brasileira”, numa analogia que se transmuta na própria capa do álbum em si, onde um Edssada totalmente adornado se apresenta como criatura de sua própria criação. 

Um pouco de tudo, de tudo um pouco

Edssada fez da música, bússola e colheu elementos sonoros distintos. Por isso mesmo, “Observatório das Micro Belezas II” também emula um mapa: suas nove faixas dialogam com referências sonoras cultivadas por toda a Ayba Yala (continente latino-americano). A própria abertura do álbum já anuncia isso. 

“Película Brasileña” é uma mensagem do norte de Minas Gerais para os 20 países de Latinoamérica. “O sitar vem com tempero brasileiro, o baixo acústico em linha jazz fusion e uma cozinha fincada no ritmo do coco. A voz de Govinda Navegando nos convida a refrescar a memória e vislumbrar o pertencimento da nossa cultura popular em uma visão cosmopolita”, aponta Edssada. A cultura popular, vale frisar, passeia por toda a obra, numa frequência que conecta o experimental com o pop. 

A produção musical de “Observatório das Micro Belezas II”é assinada por Edssada junto a André Oliva e ao Cais Estudio de Música. Germina deste encontro um som que ecoa Alceu Valença, Massive Attack, Tom Zé, Jorge Ben, Luiz Melodia, Chico Science & Nação Zumbi, com gotas de jazz fusion e música indiana. 

Nas letras, Edssada retoma ideias de Nêgo Bispo, posicionando a ancestralidade em lugar de destaque, a mais “alta tecnologia que persevera no futuro”. Além disso, a saúde e o amor vibram na liberdade de eu líricos eufóricos pela vida e, nessa toada, a terra – Edssada e banda -, germina um som que ecoa Alceu Valença, Massive Attack, Tom Zé, Jorge Ben, Luiz Melodia, Chico Science & Nação Zumbi, com gotas de jazz fusion e música indiana. 

Mas o Gerais segue sendo o principal cenário para o compositor, que faz de Montes Claros seu ponto de partida e destino igualmente. Um exemplo disso é a canção “In Natura” (faixa 3), divulgada como single em março de 2026, e que traz um feat. de Marina Sena. As ruas da cidade formam a paisagem visual do clipe – veja aqui

Além da cantora, que também já fez parte d’A Outra Banda da Lua, outros músicos e cantores do norte mineiro circundam “Observatório das Micro Belezas II”, numa ficha técnica de peso e talento, que você acessa por completo aqui.

“Garupa” (faixa 6) marca o começo da última metade do álbum e se mostra eficiente ao traduzir o que Edssada espera compartilhar em “Observatório das Micro Belezas II”. “É um recorte, uma reverência às comunidades tradicionais que seguem na luta pelos seus territórios. Observar e participar de algumas delas, moldaram minhas andanças e experimentações na música”, ele revela.

Apenas duas canções da obra inédita não foram compostas por Edssada: “No Mato do Sertão”, de Adriano Léllis e Mateus Sizílio e “Rua do Umbigo”, de Rafael Carneiro e Beu Viana, “clássico da música montes-clarense” que Edssada escolheu para “fechar o álbum dando a certeza de que o Gerais continua produzindo um cenário musical dotado de grandes artistas e composições”. 

Nas trilhas do ofício musical, os caminhos começam e ganham corpo, altura e vontade própria. Viram donos de si e querem mais. Música é feita para ecoar. E “Observatório das Micro Belezas II”é assim: fala por si, mas também afaga, como um bom vento na cara, de frente para as montanhas. 

Ou, como acerta Oliva: “Em tempos de tantas incertezas e cenários nebulosos que atravessamos, Edssada nos traz algo certo. O de que tudo pode ser confrontado com a arma mais atemporal que possuímos: o direito de querer mais do que o direito de apenas existir. A possibilidade real de se existir de forma mais pertencente e celebrativa, assim moldando os futuros possíveis”.

Sobre Edssada

Edssada é filho do Vale do Jequitinhonha, mas radicado há anos em Montes Claros, onde compõe e pesquisa as veredas da cultura popular em diálogo com a world music. Já esteve na Orquestra Catrumana do Groove Solto, no Coletivo Baru Sonoro, é membro fundador d’A Outra Banda da Lua e agora se dedica à sua carreira solo. Seu novo disco, Observatório das Micro Belezas II, acontece neste momento de apresentação de sua faceta solo, ao lado de parceiros musicais angariados ao longo da vida e com recursos oriundos da Lei Paulo Gustavo – MG e de uma campanha de financiamento coletivo.