AIC fará mapeamento de saberes e práticas ancestrais de mulheres negras – 28/03

Projeto será desenvolvido em várias etapas, entre elas, pesquisa e mapeamento, encontros de formação e produção, seminário, ação com crianças e adolescentes e uma aula virtual sobre escrita de projetos e formalização 

A AIC- Agência de Iniciativas Cidadãs em parceria com a Fundação Banco do Brasil (BB) por meio do edital “Empoderamento Socioeconômico das Mulheres Negras”, realiza neste sábado, dia 28 de março de 2026, o primeiro encontro do projeto “Mulheres Negras, Cultura Ancestral: Núcleo de Formação Memória em Belo Horizonte”.  O projeto objetiva a valorização de identidades ancestrais afro-brasileiras, fortalecimento de coletivos culturais, promoção do empoderamento socioeconômico, comunitário e almeja construir um programa de formação em saberes, práticas e fazeres específicos ligados à memória ancestral afro-brasileira contribuindo para as ações de elaboração histórica e de resistência cultural ligadas às mulheres negras.

O encontro de abertura  acontece  no Núcleo das Juventudes (Plug Minas), localizado na rua Santo Agostinho, 1441 – Horto Florestal neste sábado dia 28 de março a partir de 8h e contará com a presença Edneia Aparecida  de Souza do coletivo “Temperando vidas” e Elaine Silva dos Santos representante do “Nzinga Coletivo de Mulheres Negras”, e ambas vão  desenvolver o tema: “Mulheres negras, ancestralidades e acolhimentos”.  Inicialmente trinta mulheres participam diretamente do projeto, sendo dez instrutoras mestras que indicarão outras 20 participantes. Contudo, outras 80 participarão do seminário final. 

“Apoiar iniciativas que fortalecem a identidade, a memória e o protagonismo das mulheres negras é uma ação que reafirma o nosso compromisso com a equidade, a inclusão e a construção de soluções transformadoras para seus territórios”, declara André Machado, presidente da Fundação BB.

Funcionamento – De acordo com  Laiene Souza, gerente de projetos na AIC , o Núcleo de Formação e Memória de BH será composto por mulheres representantes de 10 grupos e comunidades tradicionais de Belo Horizonte, localizados em território de periferia e/ou regiões de elevada vulnerabilidade social. “Em parceria com as lideranças ativas desses grupos de referência, as 30 mulheres e a equipe da AIC construirá um programa de formação em práticas e tradições da ancestralidade que alimentam as atividades culturais, sociais e econômicas desses grupos”, explica. 

Ela ressalta ainda que esse programa de formação será ministrado, no âmbito deste projeto, pelas próprias lideranças do grupo, todas elas mulheres negras. Serão elas também as responsáveis por indicar e selecionar outras 20 mulheres negras de seus grupos ou regiões de atuação para participarem do núcleo, sendo duas indicações para cada um dos 10 núcleos. “A partir portanto, das atividades propostas, o projeto constitui um reforço inestimável para as ações de elaboração histórica e de resistência cultural ligadas às mulheres negras, que foram e são construídas por elas em seus saberes e suas lutas. Ele busca não apenas celebrar a herança ancestral das mulheres negras, enquanto lideranças e referências culturais para as suas comunidades, como também fortalecer a sua voz, sua presença e a sua influência nos espaços que ocupam”, completa.  

Cláudia Magno coordenadora do projeto “Mulheres Negras, Cultura Ancestral: Núcleo de Formação e Memória em Belo Horizonte”, explica que o projeto será realizado nos meses de março dezembro deste ano por meio de diversas atividades, que contribuem para valorizar a existências das mulheres negras no mundo, a partir de suas memórias ancestrais e de suas heranças culturais afro-brasileiras.  “Fazem parte das etapas do projeto, a pesquisa e mapeamento, cinco encontros de formação e produção, uma atividade no formato “Seminário”, uma ação com crianças e adolescentes e uma aula virtual sobre escrita de projetos e formalização para grupos de mulheres negras”, enumera. 

Pesquisa e Mapeamento –  Durante o processo de formação, as participantes realizarão atividades de pesquisa e mapeamento dos saberes ancestrais das mulheres negras em seus territórios de atuação. Será realizado um acompanhamento especializado da equipe da AIC para orientar e apoiar as participantes na realização dessas atividades de pesquisa, incluindo a confecção coletiva de murais/mapas para organizar os elementos mapeados. 

Tais atividades, cabe frisar, contribuem para valorizar a existência das mulheres negras no mundo, a partir de suas memórias ancestrais e de suas heranças culturais afro-brasileiras. As formações proporcionam um espaço seguro e inclusivo para o compartilhamento de saberes, fortalecendo a identidade cultural, promoção do empoderamento pessoal e coletivo das mulheres negras. Além disso, a pesquisa e mapeamento dos saberes ancestrais contribuem para a preservação e valorização da cultura afro-brasileira, além de promover a autonomia e o reconhecimento das contribuições das mulheres negras para suas comunidades. 

Formação – Serão realizadas cinco formações que visam fomentar a transmissão intergeracional de saberes e promover trocas de experiências entre os grupos, abordando temas como empreendedorismo, liderança, gestão financeira e história/cultura afro-brasileira. 

TemaOBS
Mulheres negras, ancestralidades e acolhimentosElaine Silva dos Santos (Nzinga, Coletivo de Mulheres Negras) e Edneia Aparecida de Souza (Temperando Vidas)Ação especial de combate à violência doméstica contra a mulher
2Manejo de plantas alimentícias: Alimentação ancestral Rainha Isabel Casimira Gasparino ( Reinado Treze de Maio ) e  Makota Célia Gonçalves Souza (Cenarab) Haverá uma ação especial de segurança alimentar 
3Pedagogias afro-brasileirasMakota Cassia Cristina Kidoiale (Kilombo Manzo) e Maria dos Anjos Pereira ds Santos -Madu  (Odum Orixás)Ação especial de letramento digital e de combate ao analfabetismo
4As múltiplas potências das mulheres negrasVânia do Carmo Silva (Coop50)  e Maria Aparecida Silva dos Santos -Cida Badu (Casa canto)Empreendedorismo ancestral
5Musicalidade ancestralGlaucia Marilia Ferreira da Silva ( Laboratório de Ritmos Africanos) e Elizangela Santana (Coletivo Rosário do Bem)

Seminário – Será realizado ao final do projeto e consiste num evento de culminância, de registro e multiplicação, onde as participantes apresentarão os registros produzidos e compartilharão seus aprendizados e experiências com outros membros da comunidade. Neste momento, haverá ainda certificação das participantes do projeto.

Atividade com crianças e adolescentes- Terá como objetivo sensibilizar o público infantil para questões abordadas. Esse evento contará com rodada de conversas presencial, com registro audiovisual. Aplicação da “Pedagogia da ciranda: A roda interativa como metodologia Ativa” e “Pedagogia da roda” , ambas tecnologias sociais certificadas pela Fundação BB, e cadastradas na plataforma Transforma. 

Aula virtual sobre escrita de projetos- A AIC realizará uma aula virtual sobre escrita de projetos e formalização para grupos de mulheres negras de Belo Horizonte, contribuindo para o fortalecimento socioeconômico e disponível para público em geral. O evento será online e gratuito.