Sour Beers – Uma novidade que conquista cada vez mais adeptos

Primeiramente, digo que é com muito orgulho que inicio esse desafio de assinar a coluna Malte e Prosa no Portal Agenda BH. Afinal, posso afirmar que compartilhar idéias e opiniões faz parte do meu DNA, uma vez que sou filho de uma jornalista e leciono há mais de vinte anos, seja como professor de biologia ou, mais recentemente, como professor de bebidas. Porém, o desafio de produzir conteúdo para um veículo de comunicação é absolutamente novo para mim e espero estar apto a cumpri-lo com maestria.

Sendo assim, escolhi como primeiro tema para a coluna uma nova tendência entre os apreciadores de cervejas, as chamadas Sour Beers ou “cervejas ácidas”. Certamente, esse pode não ser um nome muito tentador para as pessoas que estão experimentando o mundo da cerveja artesanal pela primeira vez. No entanto, essas cervejas representam uma das mais fortes tendências de mercado de bebidas.

Foto: Northern Brewer. Divulgação.

Cervejas ácidas fazem parte da história cervejeira, uma vez que antigamente não existiam controles muito rigorosos nos processos de produção, o que acabava resultando, invariavelmente, em cervejas com alguma acidificação. Em abadias e mosteiros, os monges colocavam suas cervejas em barris de carvalho e deixavam a microflora presentes nesses recipientes fazer o seu trabalho. Desse “descontrole microbiológico” nasceram estilos clássicos, como as belgas Lambic, Gueuze, Red Flanders e Oud Bruin, ou as alemãs, Berliner Weisse e Leipziger Gose. Essa é a maneira tradicional de se fazer uma cerveja azeda, que pode ser empregada ainda nos dias de hoje. É um processo que leva muito tempo, mas cria sabores muito ricos e complexos. Porém, são as releituras modernas de estilos clássicos e o desenvolvimento de novas técnicas de acidificação intencional de cervejas que têm arrebanhado consumidores e agradado aos mais diferentes paladares, tanto que hoje é possível registrar um grande aumento de cervejarias que tentam produzir cervejas azedas.

Foto: Cantillon Brewery. Divulgação.

O comentário das pessoas que experimentam essas cervejas pela primeira vez é: “Isso é realmente cerveja?”, muitas vezes acompanhado por caretas e outras expressões faciais de aversão devido à acidez, ao sabor acre e à pungência do produto. Mas, num segundo momento, as opiniões tendem a mudar e o degustador dificilmente esquecerá a cerveja, seja porque a amou ou porque realmente odiou o que acabou de provar. Contudo, existem várias razões para se apaixonar: sours podem variar muito em sabor, de tártaro a frutado, sendo capazes de surpreender e encantar aos mais diversos consumidores. Um ponto muito positivo a favor das sours é que a acidez traz refrescância para as bebidas, tornando seu paladar ainda mais agradável. Sem falar que, em um país tropical, como o Brasil, refrescância é um dos pontos que mais agrada o degustador em geral.

Caso você esteja curioso e queira conhecer sour beers, aí vão algumas sugestões de cervejas que podem ser encontradas no nosso mercado, desde as tradicionais até as inovações que têm aparecido cada vez mais nos portfólios de cervejarias artesanais e nos cardápios dos bares e restaurantes.

Boon Oude Geuze Mariage Parfait

Estilo: Gueuze (Lambic)

Uma tradicional gueuze belga de fermentação espontânea, muito viva e refrescante, com final seco e refrescante. Com um crème brûlée formará um verdadeiro “casamento perfeito”.

Fonte: Site da cervejaria Brouwerij Boon.

Rodenbach Grand Cru

Estilo: Flanders Red Ale

Uma cerveja extremamente complexa, feita pela blendagem de um terço de cerveja jovem e dois terços de cervejas maturadas por dois anos em tonéis de carvalho fazem dessa cerveja um produto de riquíssima complexidade, notas frutadas e acidez equilibrada. O final é digno de um bom vinho.

Fonte: Site da cervejaria Rodenbach.

Cantillon Kriek

Estilo: Fruit Lambic

Produzida pela cervejaria Cantillon, berço das lambic mais respeitadas da Bélgica, a Cantillon Kriek é produzida pelo blend de uma cerveja 100% lambic com outra cerveja lambic fabricada com cerejas. Desse casamento nasce uma cerveja de excelência excepcional, com aromas e sabores encantadores.

Fonte: Site da cervejaria Cantillon.

Prussia Bier Jabuticaba

Estilo: Catharina Sour

Cerveja disponível somente em chope, podendo ser encontrada nos bares e casas especializados, é uma cerveja que soube combinar perfeitamente a acidez com os toques da jabuticaba. Uma cerveja muito equilibrada e refrescante.

Fonte: Site do aplicativo Untappd.

Tupiniquim Lógica Absurda

Estilo: Berliner Weisse

Essa é uma releitura do clássico estilo da cidade de Berlim, com a adição de ameixa e framboesa, que trazem uma coloração rosada para a cerveja. Sua refrescância e sabor frutado surpreendem o consumidor e subvertem a lógica.

Fonte: Site da cervejaria Tupiniquim.

Verace Abaporu Sour

Estilo: Fruit Berliner

Mais uma releitura das tradicionais Berliner Weisse com adição de frutas. Na Abaporu a escolha foi feita por cajá-manga e goiaba, que trazem muita tropicalidade e ainda mais refrescância para essa cerveja, fazendo dela um excelente acompanhamento para comida japonesa, frutos do mar e ceviche peruano.

Fonte: Site da cervejaria Verace.

Backer Bernardyńskie

Estilo: Grozisk Wielkopolsk (estilo polonês do séc. XIX)

Na busca de resgatar estilos pouco conhecidos do grande público, a Cervejaria Bäcker trouxe para o mercado uma releitura de um estilo polonês do século XIX, o Grozisk Wielkopolsk. Prová-la é uma experiência única, pois a cerveja combina notas de defumação, oriundas dos maltes usados na receita, um toque de frutas vermelhas advindas lúpulos poloneses e uma leve acidez produzida durante a fermentação.

Fonte: Cervejaria Backer. Divulgação

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