Recitais Allegro Vivace levam a música erudita para um público ampliado em 2020

Neste ano, os recitais serão veiculados em plataforma digital. O que nasceu com um  piano colocado no hospital Mater Dei, agora é ressignificado para democratizar o acesso à expressão universal da música erudita 

Expressão cultural universal, a música convida à união. Linguagem presente em todas as civilizações, ensina sobre transformações. Ferramenta importante para o desenvolvimento humano, promove bem-estar, estimula a imaginação e a criatividade, aguça os sentidos e em muitas situações cumpre papéis sociais, com lições sobre inclusão, respeito à diversidade e influência nas relações interpessoais. Pode ser um batuque descompromissado até grandes orquestras. É uma prática que sempre significa crescimento.

Quando se trata do universo erudito, muitas vezes o que parece distante pode estar mais próximo do que se imagina. A série de recitais Allegro Vivace nasceu para democratizar o acesso à música erudita. O projeto começa, em 2020, nesta terça-feira (6), com a apresentação do violonista solo Fábio Zanon. Nessa temporada, está prevista uma série de seis recitais, em formato inédito. As performances serão veiculadas em plataforma digital, o que permite um alcance maior. O público pode acompanhar o evento pelo canal no YouTube (Recitais Allegro Vivace), além de curiosidades sobre o tema e detalhes da programação pelo Instagram, no endereço @recitaisallegrovivace.

O Allegro Vivace é viabilizado pela Lei Rouanet, com realização pela Secretaria Especial da Cultura, o Ministério do Turismo, e patrocinado pela rede Mater Dei de Saúde e a BioHosp, empresa de produtos hospitalares que tem se dedicado cada vez mais à causa da música erudita. “A intenção é fomentar a cultura erudita para acesso de todos. As apresentações podem ser vistas por qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo”, diz Myrian Aubin, diretora artística e produtora do Allegro Vivace.

O embrião do evento leva a 2010, quando o doutor José Salvador Silva, fundador da Rede Mater Dei de Saúde, resolveu adquirir um piano e teve o apoio de Myrian para uma nova empreitada. Um grupo de 10 pianistas começou a se apresentar, utilizando o instrumento para audições musicais todos os dias, pela manhã e à tarde, e assim teve início o trabalho de humanização pela música, iniciativa que tornou-se uma importante frente de atuação na Rede Mater Dei de Saúde. Para os pacientes que sempre foram agraciados com os espetáculos, Myrian lembra sobre o quanto a música pode tranquilizar, serenizar e tornar o ambiente agradável, contribuindo para a saúde e o bem-estar em meio a tratamentos muitas vezes angustiosos e conflitantes. “É um momento de respiração”, diz.

O que começou no âmbito interno da instituição de saúde, seria ampliado três anos depois, crescendo para além das portas do hospital. A partir de 2013, o evento tomou uma proporção maior e chegou ao público em geral. De lá para cá, todos os anos recebe musicistas do Brasil e do exterior, com formações variadas para a execução de músicas instrumentais. São solistas e artistas de música de câmara, que pressupõe duos, trios, quartetos, quintetos e sextetos. Entre os instrumentos, já estiveram no palco do auditório do hospital exibições com acordeon, piano, violão, violino, violoncelo, fagote, oboé, contrabaixo, trombone, percussão, entre outros.

Um pilar do Allegro Vivace é a acessibilidade. Quando as apresentações eram presenciais, cartaz e programa também eram disponibilizados em braile, para atender aos deficientes visuais. Em 2020, a live contará com áudio descrição. No concerto que dá início a esta edição, Fábio Zanon irá interpretar músicas do repertório erudito espanhol e brasileiro. A apresentação acontece de 20h às 21h.

Premiado, Fábio Zanon carrega consigo um prestígio internacional. Em sua atuação como regente, professor e comunicador, contribui para ampliar a percepção sobre o violão no contexto da música erudita. A carreira foi alavancada em 1996, quando venceu dois dos maiores concursos mundiais de violão, o Concurso Internacional da Guitar Foundation of America (GFA), nos Estados Unidos, e o Francisco Tarrega, na Espanha. Já se apresentou em teatros em mais de 50 países, em quatro continentes. Convidado contumaz de grandes orquestras e festivais, e dedicado à música de câmara, tocou mais de 40 obras para violão e orquestra.

Concluiu os estudos na Royal Academy of Music em Londres, onde hoje é professor e fellow (título reservado para antigos alunos de destaque). Tem como parceiros artistas de todo gênero. Entre seus mestres, Antônio Guedes, Henrique Pinto, Edelton Gloeden e Michael Lewin.

Também autor do livro Villa-Lobos, Fábio marcou presença em salas como o Royal Festival Hall, em Londres, Philharmonie, em Berlim, Sala Tchaikovsky, em Moscou, e Concertgebouw, em Amsterdã, à frente de orquestras como a Filarmônica de Londres, Orquestra Estatal Russa Evgeni Svetlanov, Berliner Camerata, BBC Ulster e Sinfônica da RTÉ, em Dublin. Desde 2014, é coordenador artístico e pedagógico do Festival de Inverno de Campos do Jordão, em que supervisiona as atividades de centenas de alunos orquestrais.