Novembro Azul alerta homens sobre cuidados com a saúde

Câncer de próstata é a segunda maior causa de óbito oncológico no sexo masculino; pesquisa mostra que 21% dizem que exame do toque “não é coisa de homem”

O Novembro Azul chega para discutir uma das doenças que mais geram alerta entre o público masculino: o câncer de próstata. A doença é a segunda maior causa de morte no Brasil por câncer entre homens, ficando atrás apenas do câncer de pulmão.

Para este ano, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer é de 61 mil novos casos de câncer de próstata e mais de 13 mil mortes. No mundo, são registrados 1,1 milhão de novos casos por ano de câncer de próstata e cerca de 300 mil mortes, segundo dados da Globocan 2012.

Ainda assim, os números parecem não mobilizar toda a comunidade masculina contra a doença. Para 21% dos brasileiros, o exame de toque retal, essencial na detecção precoce do câncer de próstata, “não é coisa de homem”. Além disso, para 38% dos homens com mais de 60 anos, que têm maior risco de ter a doença, o exame “não é necessário”.

Isso é o que mostrou uma pesquisa Datafolha encomendada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), pelo Instituto Oncoguia e pela farmacêutica Bayer e realizada entre junho e julho deste ano em sete capitais brasileiras.

A campanha do Novembro Azul vem, portanto, para alertar sobre a necessidade da prevenção, já que o sucesso do tratamento depende do estágio em que a doença é diagnosticada. “Quando a enfermidade é descoberta cedo, as chances de cura são muito altas, podendo chegar a mais de 90%”, afirma Leonardo Pimentel, radio-oncologista da Radiocare, Centro Avançado de Radioterapia do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte.

Segundo o médico, homens a partir dos 50 anos devem discutir com seu médico sobre fazer exames de próstata anualmente. Já aqueles que possuem histórico familiar, devem iniciar o controle a partir dos 45. Aqueles que possuem mais de um parente de primeiro grau com câncer de próstata, devem começar a serem testados aos 40.

“Apesar de ainda existir muita resistência em fazer os exames para detectar a doença, o checkup anual é necessário. A frequência dos testes deve ser discutida entre médico e paciente”, destaca o Pimentel.

Sintomas

O câncer de próstata se manifesta de forma silenciosa, por isso, é essencial que o homem faça exames regularmente. Em fases iniciais, a doença é assintomática. Em estágios mais avançados, o indivíduo pode ter dificuldade para urinar, alterações da frequência urinária e, ainda, ter sangue nas fezes ou urina, ou dores ósseas quando já em situação de metástase (quando o câncer se espalha para outros órgãos).

Diagnóstico

Quando há suspeita do câncer de próstata, seja pelo exame de toque retal, seja pela dosagem sanguínea do PSA (antígeno prostático específico), pode se indicar a biópsia prostática, exame feito sob sedação, guiado por ultrassonografia.

“Caso se confirme a doença, as alternativas de tratamento devem ser discutidas individualmente com cada paciente, dependendo da agressividade da doença, da idade e da condição de saúde do paciente”, comenta Pimentel.

Tratamentos

O tratamento varia de paciente para paciente e depende do estágio da doença, idade, probabilidade de cura e expectativa de vida. “Cirurgia, radioterapia e terapia hormonal são os procedimentos mais indicados”, afirma o médico.

Riscos de disfunção erétil e infertilidade?

Entre as preocupações masculinas envolvendo o câncer estão incontinência urinária, impotência sexual e infertilidade. “Quanto mais cedo o câncer for diagnosticado, menos agressivo será o tratamento e, logo, menos riscos de ocorrer a disfunção erétil e outros problemas relacionados ao tumor”, orienta Leonardo.

Ainda segundo o especialista, a braquiterapia é um dos recursos que pode ser utilizado para o tratamento da doença e também está entre os que causam menor índice de disfunção erétil, em comparação com a cirurgia. O procedimento é benéfico pelo fato de levar a radiação de forma mais localizada. “É feita uma distribuição de pequenas sementes de iodo radioativo por toda a próstata do paciente, com o objetivo de  erradicá-lo por completo”, conta o radio-oncologista.

A cirurgia, chamada prostatectomia radical, pode ser feita de várias formas. A via aberta, por meio de uma incisão abaixo do umbigo, é a mais tradicional. Mais recentemente, surgiram novas técnicas, minimamente invasivas, de se realizar a prostatectomia: por acesso laparoscópico e acesso laparoscópico assistido por robô (robótica).

 

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