II Mostra Nos Porões da Loucura 10/05 a 02/06

Promovida pela Caligari Produções, a mostra será realizada entre os dias 10 de maio e 02 de junho, no Teatro Marília. A programação conta com a realização de debates, apresentações teatrais (incluindo mostra de monólogos femininos sobre a loucura), exibição de filmes, oficinas, exposição fotográfica e temporada do espetáculo que dá nome à mostra. A proposta é convidar  o público a refletir a respeito da arte, da loucura, sobre a importância da luta antimanicomial e dos avanços nos tratamentos.

Desde a sua estreia, em maio de 2016, o espetáculo “Nos Porões da Loucura”, baseado na obra homônima de Hiram Firmino, já foi assistido por milhares de pessoas. A partir de um aprofundamento das discussões propostas pela montagem, a equipe responsável decidiu  investir na criação da “Mostra Nos Porões da Loucura”, que acaba de anunciar a uma intensa programação para sua 2ª edição. Com curadoria assinada pela jornalista, atriz e produtora Ana Gusmão, a mostra traz como proposta destacar, por meio de uma diversificada programação artística e cultural, a importância da luta antimanicomial, além de refletir sobre os avanços e retrocessos verificados no país ao longo dos anos.

Nos dias atuais, vemos um retrocesso imenso, liderado pelo Governo Federal, pela volta das instituições como ponto central no tratamento dos portadores de sofrimento metal, com o fim da política de redução de danos e do desmantelamento dos serviços substitutivos, entre outras ações. Frente a tudo isso, mantemos a nossa posição de inclusão e de valorização de todo e qualquer ser humano, pois a discussão da II Mostra Nos porões da loucura é a dignidade, os direitos humanos e solidariedade. É sobre a escuta do outro que falamos.”, afirma a gestora cultural Ana Gusmão.

É certo que a luta antimanicomial já registrou várias vitórias nas últimas  décadas no Brasil, mas  o tema ainda merece destaque uma vez que o preconceito seguido da ignorância impossibilita boa parte desses pacientes de se inserirem, verdadeiramente, na sociedade. Essa temática, amplamente trabalhada no espetáculo “Nos Porões da Loucura”, apresenta o universo do Hospital Psiquiátrico de Barbacena, que contabiliza mais de 60 mil mortes de pacientes. Em  cena, nove atores retratam pacientes, funcionários, famílias e sociedade, numa montagem realista e muito comovente.

ABERTURA

Na noite de abertura, 10 de maio, a Mostra Nos Porões da Loucura receberá uma apresentação de samba-enredos criados pelos participantes das ações do Centro de Convivência da Politica da Rede de Saúde Mental. Os samba-enredos apreentados fazem parte, também, do grande desfile que acontece tradicionalmente em Belo Horionte, no dia 18 de maio, Dia Nacional da Luta Antimanicomial, em que as ruas da cidade são transformadas em passarelas para um lindo desfile inclusivo de posicionamento e reinvidicação. Os Centros de Convivência da Política de Saúde Mental da SMSA- SUS/BH, fazem parte de uma rede de serviços para portadores de sofrimento mental, visando sua inserção social, atravês de recursos e ações sócio- culturais.

FILMES – Exibições gratuitas

Abrindo a programação, no dia 10/05, às 20h, haverá a exibição do curta-metragem “Entrelinhas”, filmado, produzido e dirigido por Letícia Cardoso e Pedro MC.  Situado  no  Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico da Penitenciária Estadual de Santa Catarina, o curta com 25 minutos de duração propõe uma relação do tempo e o imaginário entre os realizadores da película e dos pacientes encarcerados em tratamento  psiquiátrico  na  instituição. O filme apresenta o papel das instituições, os tratamentos e as condições dos pacientes mostrados não como denúncia, mas pela narrativa do tempo fugidio, dos fragmentos de percurso e desencontros com a “vida lá fora”.

MOSTRA DE MONÓLOGOS FEMININOS – de 10 a 12 de maio de 2019

Dando sequência a noite de abertura, a Mostra recebe às 20h30  a  apresentação  do espetáculo “Ensaio para a Senhora Azul”, um solo da atriz Kelly Crifer. Elaborado ao longo de doze meses de trabalho, a partir de uma pesquisa em torno da dramaturgia do corpo, o espetáculo traz urgências diante do indizível da mulher, o percurso e narrativas do feminino e a invisibilidade. Assim, o corpo da intérprete é o instrumento para retratar estados de euforia excessiva, irritabilidade extrema, perpassando por voos de pensamentos, saltos de uma ideia para outra, aumento de energia até estados de alucinação, arriscando sob os limites  entre lucidez e loucura, chegando às subjetividades, instigante de forma bem humorada a reflexão de temas triviais e questões internas da natureza humana.

O espetáculo, inclusive, faz parte da Mostra de Monólogos Femininos que contemplam a primeira semana da programação, junto das montagens  “Peixes”,  de Ana Régis, e “Rio da  Lua” de Madalena Rodrigues. A apresentação solo de Régis é um espetáculo poético forte e poético, cuja dramaturgia é baseada em relatos reais anônimos e não anônimos de várias mulheres violentadas que dão números às assombrosas estatísticas de violência doméstica no Brasil. Assim, “Peixes” é a oportunidade  para a atriz personificar em cena as  dores, sofrimentos e inquietações dessas mulheres que muitas vezes são banalizadas e não tem direito a voz na sociedade. Já “Rio da Lua”, protagonizado por Madalena Rodrigues, é inspirado na  poesia  sofrida de Stela do Patrocínio, interna da instituição psiquiátrica “Colônia Juliano Moreira”, no Rio de Janeiro. Desta forma, o espetáculo da voz àqueles que já não fazem parte, mas que existem, de alguma maneira são conscientes, capazes de articular palavras ou emitir sons de  uma trilha sonora composta na pureza ou na confusão de seus corações.

Participação dos estudantes

Outro destaque é que na sexta-feira, 17/05, às 19h30, a II Mostra Nos Porões da Loucura receberá uma apresentação de cenas artísticas do coletivo de alunos do curso de psicologia da PUC Minas, campus Coração Eucarístico, resultado de  uma  produção do  Diretório Acadêmico do curso. A ideia é integrar vários lugares de fala a Mostra, abrindo espaço para que os estudantes exponham para o público seus pensamentos e manifestações através da música, poesia e teatro. A atividade será realizada no foyer do teatro e é gratuita.

ESPETÁCULO “NOS PORÕES DA LOUCURA”

Na segunda semana de programação, começa a temporada do espetáculo “Nos porões da loucura”, com dramaturgia adaptada a partir de uma série de reportagens do jornalista Hiram Firmino produzidas ao longo do ano de 1979, reunidas em livro posteriormente, com várias tiragens de sucesso. A montagem possui dramaturgia e direção assinadas por Luiz Paixão e resgata o horror vivido pelos pacientes portadores de sofrimento mental ou àqueles que simplesmente eram indesejados pela sociedade.

Baseado na obra homônima de Hiram Firmino, o espetáculo, que tem dramaturgia e direção de Luiz Paixão, adapta a série de reportagens publicadas pelo Jornal Estado de Minas, no ano de 1979 e reunidas em livro pelo autor, em uma montagem teatral que resgata o horror vivido  pelos pacientes portadores de sofrimento mental ou simplesmente os indesejados pela sociedade. Com cerca de 60 mil mortos desde sua fundação,  em 1903, o Hospital Psiquiátrico   de Barbacena se configura como uma das maiores manchas na história de Minas Gerais e do Brasil.

A produção do espetáculo, direção de arte e comunicação é assinada por Ana Gusmão.

ATIVIDADES EDUCATIVAS

Completando a programação, a mostra ainda oferece atividades educativas. Dentre elas, a  oficina de teatro no sábado (25) e no domingo (26) de maio, das 14h às 17h. Intitulada “A arte abriga a loucura ou a loucura abriga a arte?”, a atividade será ministrada pela atriz Meibe Rodrigues. Voltada para estudantes de psicologia, o objetivo é desenvolver, ao longo dos dois dias, atividades teatrais ligadas ao processo de criação do espetáculo “Nos Porões da Loucura”, permitindo aos estudantes vivenciar técnicas teatrais a partir da criação de personagens com a temática da loucura. Os interessados devem realizar suas inscrições pelo site  https://www.vaaoteatromg.com.br/detalhe-peca/belo-horizonte/oficina-de-teatro-a-arte-

a briga-a-loucura-ou-a-loucura-abriga-a-arte e custam R$30,00 para os dois dias, totalizando 6 horas/aula.

Também no sábado, a partir das 19h30, ocorrerá o lançamento do livro “Poemas de Zuzu”, de Maria Aparecida Andrade de Oliveira, com uma apresentação de recital de voz e violão com os músicos Sirlene Oliveira e Pedro Henrique. A publicação é uma coletânea de  poemas  que  tratam temas como a vida, religiosidade e as idas e vindas de Zuzu nos hospitais psiquiátricos. Zuzu foi diagnosticada com “louca” na década de 60 e 70, quando, na verdade, sofria apenas de asma. Entre as idas e vindas de hospitais psiquiátricos, ela escrevia poesia, que serão agora publicadas pela família. Zuzu morreu na mesa de eletrochoque, em um hospital psiquiátrico de Belo Horizonte.

DEBATES

Nos quatro domingos da II Mostra Nos porões da loucura, debates com profissionais da área da saúde, artistas, usuários dos serviços da saúde mental de BH e familiares acontecerão no palco do Teatro Marília, após os espetáculos. A entrada é gratuita.

No dia 12/05, o primeiro domingo, acontece o debate com a conversa “O feminino e a loucura  da violência”, com as debatedoras: Dra. Ana Marta Lobosque e Madalena Rodrigues, atriz solo  da montagem “Rio da Lua”, dentro da Mostra de Monólogos femininos.

No dia 19/05, às 20h15, será realizado o debate “As atuais políticas públicas na saúde mental”, com os debatedores convidados Dr.  Fernando Siqueira, Coordenador de Saúde Mental da PBH,  e a Professora Cristiane Barreto.

O tema do terceiro domingo, dia 26/05 será “a família e a relação com os portadores de sofrimento mental”. Debatedoras: Marta Elizabete, Leida Maria de Oliveira Uematu e Madalena Luiz Tolentino.

Já o debate “O que querem os portadores de sofrimento mental hoje?”, com Marta Soares, Emílha Maria de Oliveira Marques e Valter Carvalho, promoverá um diálogo aberto com quem vivencia a realidade do sistema público de saúde mental. A discussão será realizada no último  dia da mostra, no domingo (02/05), a partir das 20h15.

EXPOSIÇÕES

Ao longo de toda a programação, a Mostra também promove a exposição fotográfica no foyer do Teatro Marília. Intitulada “Olhar antimanicomial – arte e dignidade”, a montagem reúne retratos e recortes do fotógrafo Fernando Barbosa e Silva, realizados durante as manifestações do Dia da Luta Antimanicomial em Belo Horizonte, no dia 18 de maio. Assim, a exposição nasce da necessidade de se falar cada vez mais sobre o dia a dia dos usuários do serviço de saúde mental, dando luz também para os benefícios proporcionados pelas oficinas de arte que os pacientes participam como forma de serem inseridos na sociedade mineira.

Ainda no foyer do Teatro Marília, os produtos das oficinas dos Centros de Convivência de Saúde Mental da PBH serão exibidos para o público. Artes plásticas, literatura e outras linguagens artísticas serão compartilhadas.

BAR SURICATO

A Associação Suricato surge num contexto de liberdade e respeito aos direitos dos cidadãos em sofrimento mental, onde a necessidade de sua inclusão social é uma premissa do modelo assistencial da saúde mental  em Belo Horizonte. A  Associação promove essa inserção através  da culinária e da produção de artesanato, como mosaicos, marcenaria e costura. Tudo isso é  feito por cerca de 40 pessoas, com idade entre 20 e 70 anos. Um dos projetos da Associação é o bar Suricato, que estará presente na II Mostra Nos porões da loucura, revivendo o espaço do legendário Stagedoor, local que era ponto de encontro dos artistas na década de 70, no mezanino do Teatro Marília.

::Sobre a Mostra Nos Porões da Loucura::

A Mostra Nos Porões da Loucura foi criada a partir de um aprofundamento das discussões propostas pelo espetáculo “Nos Porões da Loucura”, que estreou em 2016. Com curadoria assinada pela jornalista, atriz e gestora cultural Ana Gusmão, a mostra traz como proposta destacar, por meio de uma diversificada programação artística e cultural, a importância da luta antimanicomial, além de refletir sobre os avanços e retrocessos verificados no país ao longo dos anos. As diferentes manifestações artísticas que trabalham, de forma heterogênea, a loucura e o incômodo com o outro, as atividades reflexivas, a valorização dos usuários da rede de saúde mental de BH e a criação de um espaço de trocas e convivência para o público interessado no tema são os objetivos principais do projeto. Nos dias atuais, vemos um retrocesso imenso, liderado pelo Governo Federal, pela volta das instituições como ponto central no tratamento dos portadores de sofrimento metal, com o fim da política de redução de danos e do desmantelamento dos serviços substitutivos, entre outras ações. Frente a tudo isso, mantemos a nossa posição de inclusão e de valorização de todo e qualquer ser humano pois a discussão da II Mostra Nos porões da loucura é a dignidade, os direitos humanos e solidariedade. É sobre a escuta do outro que falamos.


*Datas: 10, 11, 12, 16, 17, 18, 19, 24, 25, 26, 30, 31 de maio; 01º e 02 de junho.

Horário: Conferir programação

Local: Teatro Marília(Avenida Professor Alfredo Balena, 586 – Santa Efigênia- BH)

Informações: www.nosporoesdaloucura.com.br

*Todos os debates, exibições de filmes e a exposição possuem entrada franca.

Temporada espetáculo “Nos Porões da Loucura”

Datas: 16, 17, 18, 19, 24, 25, 26, 30 e 31 de maio; 01º e 02 de junho. ** Não haverá espetáculo no dia 23 de maio, quinta feira **

Horário: Quintas, sextas e sábados às 20h30 e domingo às 19h.

Local: Teatro Marília(Avenida Professor Alfredo Balena, 586 – Santa Efigênia- BH)

Ingressos: R$40- inteira, R$20-meia entrada e R$20-antecipado no site do SINPARC

Mostra de monólogos femininos Datas: 10, 11 e 12 de maio.

Horário: Sextas e sábado às 20h30 e domingo às 19h

Local: Teatro Marília (Av. Professor Alfredo Balena, 586 – Santa Efigênia- BH)

Ingressos: R$40- inteira, R$20-meia entrada e R$20-antecipado no site do SINPARC

Oficina A arte abriga a loucura ou a loucura abriga a arte?”, com Meibe Rodrigues Data: 25 e 26/05

Horário: 14h às 17h

Local: Teatro Marília(Avenida Professor Alfredo Balena, 586 – Santa Efigênia- BH)

Valor: R$30 no site do SINPARC

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