Exposição Labirinto, de Christus Nóbrega 20/12 a 04/03

Fotografia, foto-instalação, foto-objeto, vídeo-instalação e escultura compõem a exposição Labirinto do artista plástico Christus Nóbrega, indicado ao Prêmio Pipa de 2017. Em seu trabalho, o artista revisita o álbum de família, a história social de um lugar e apresenta obras inéditas que têm a Renda Labirinto primordialmente como matriz. Trata-se de uma construção material humana, que propõe um labirinto que concretiza a existência de trajetos sinuosos, combinando formatos como o de espiral e o de trança.

De acordo com Christus Nóbrega, a exposição está organizada em órbitas gravitacionais e zonas de aproximação que permitem múltiplos percursos e têm concepção expográfica do arquiteto Gero Tavares. “A disposição das obras acontece como um arquivo e acesso de nossa própria memória, sempre de forma tridimensional, não linear e nebulosa”, explica Nóbrega.

A curadoria, feita por Cinara Barbosa, privilegia o entrelace das peças sem pretender sugerir segmentos específicos com a tentativa de colocar as variações interligadas para preservar caminhos que, uma vez seguidos, possam sempre se bifurcar entre outros. “Venho participando por meio da observação dos processos desde quando se iniciou a pesquisa. Trata-se de aprendizado contínuo de encantamento, de surpresas e revelações de uma história que parece não acabar e nos levar para outros caminhos nesse labirinto que reúne a força de mulheres na condução de seus destinos e de sua sobrevivência”, conta Cinara.

labirinto é um tipo de renda de linho feita, exclusivamente, por mulheres. De origem europeia, a produção se estabeleceu em Chã dos Pereira, na Paraíba, cidade que fica há cerca de 40 minutos de João Pessoa, onde nasceu Christus Nóbrega. Segundo o artista, as mulheres riscam sobre o linho um desenho e escolhem algumas zonas para desmancharem a trama do linho. “Primeiro, existe uma ideia de desmantelar o linho. Depois, essas mulheres desfiam parte do tecido e começam a reconstruir essa trama com os bordados, que acabam virando flores ou ornamentos. Então, o processo do labirinto é o desmantelamento e a reconstrução dessa trama”, explica.

Para a exposição, o artista conecta a técnica com outras concepções do bordado, preservando elementos técnicos ao mesmo tempo que intercede em favor de sua pesquisa poética. Assim, mantém o linho, considerado tecido nobre e símbolo de herança colonial e da economia do algodão, dá vazão ao estiramento do pano no bastidor como recurso e o efeito de tela e enfatiza detalhes da trama têxtil e algumas gravuras.

Christus Nóbrega se entregou a uma pesquisa durante três anos, viajando regularmente para a Paraíba. Nessa vivência, o artista rememorou a história de sua família, revisitou o lugar onde morou sua avó, que revendia o labirinto como forma de sustento. “A história da minha avó se conecta com a de outras mulheres no Brasil por ter ficado viúva, ser mãe de seis filhos e ter que entregá-los a outras famílias por falta de renda. Me dei conta de que o labirinto tinha essa perspectiva, essa metáfora de desmantelamento da trama e reconstrução familiar na sua produção. Achei uma ótima metáfora para falar sobre minha memória, que é individual, mas, de certa forma, é também coletiva, além de contar um pouco do passado do Brasil”, conta o artista.

Expondo pela primeira vez no Palácio das Artes, Christus Nóbrega diz se sentir acolhido em Belo Horizonte. “Como nordestino, é ótima oportunidade que tenho de mostrar os aspectos da irmandade que existe entre as tradições mineiras e paraibanas. Particularmente, daquelas construídas pelas mãos de mulheres que se dedicam a ofícios artesanais têxteis”, afirma.

Cinara Barbosa chama a atenção para um trabalho rigoroso de apresentação das sutilezas das diversas memórias que estão presentes. O labirinto é apresentado por fragmentos assim como as imagens. “Podemos perceber por meio da estrutura dos estandartes o jogo de luz e sombra que nos remete à luz da região onde é produzido. Tudo é uma revisitação. Tanto a renda quanto as imagens apontam para reminiscências. Estão ali como fragmentos, desconstruções e reestruturações”, afirma a curadora.

 

Período expositivo: 20 de dezembro a 4 de março

Local: Galeria Mari’Stella Tristão

Endereço: Av. Afonso Pena, 1537

Entrada gratuita

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