Exposição coletiva Além do Traço 07/11 a 06/12

Galeria Mama / Cadela reabre com a exposição coletiva “Além do Traço”, organizada por Bruno Faria.

A mostra é composta por obras de 21 artistas, em diferentes linguagens e suportes, trazendo um panorama da produção artística contemporânea realizada em Belo Horizonte. Uma proposta horizontal realizada a partir de estudos diversos que foram aglutinados por meio da presença do desenho em cada um dos trabalhos expostos.

A Galeria Mama / Cadela reabre neste sábado, 07 de novembro, com a exposição coletiva “Além do Traço”, organizada pelo artista Bruno Faria. A mostra conta com trabalhos de 21 artistas convidados de diferentes gerações e que mantêm relações com a cidade de Belo Horizonte por serem mineiros (as) ou terem residido na capital, sendo também parte de uma rede afetiva de amigos artistas do organizador. Aberta à visitação até 06 de dezembro, a exposição funcionará com horário agendado pelo e-mail contato@mamacadela.com.br. Participam da mostra os artistas Brígida Campbell, Bruno Faria, Cinthia Marcelle, Tiago Mata Machado, Desali, Fernando Cardoso, Gisele Camargo, Gustavo Maia, Lais Myrrha, Marcellvs L., Marcelo Drummond, Marilá Dardot, Mario Zavagli, Marta Neves, Matheus Rocha Pitta, Nydia Negromonte, Patricia Leite, Renato Morcatti, Roberto Freitas, Sara Ramo e Sylvia Amélia.

De acordo com Bruno Faria, o ponto de partida para a concepção da mostra foi trazer à tona reflexões sobre os possíveis desdobramentos do desenho como linguagem para além de seu formato tradicional e de seu conceito em um contexto em que o desenho dialogue com o espaço. Para isso, ele convidou um grupo de artistas que apresentam trabalhos em diferentes linguagens e suportes como pintura, escultura, instalação e vídeo e que refletem algum aspecto do desenho.

De forma autônoma, a exposição “Além do Traço” surgiu de uma inquietação de Bruno Faria pelo rareamento de ações organizadas de forma espontânea, sem um vínculo imediato com o mercado, daí a escolha pela Galeria Mama / Cadela, que desde 2005 realiza mostras que surgem da iniciativa direta de artistas que participam da elaboração de todos os processos do evento. “O fato de ser uma exposição independente, organizada por artistas e para artistas, confere à produção um vigor, uma área com mais espaço de circulação para o experimental e para testes, proporcionando uma visão múltipla, horizontal e fluida sobre o universo das artes plásticas”, destaca o organizador.

Em um momento em que a cultura no Brasil passou a ser tratada como “inimiga”, é de vital importância que ações independentes sejam realizadas. “Quanto mais unidos e coesos formos, mais poderemos resistir. Esta mostra é uma prova disso, onde artistas, de forma coletiva, se empenharam para fazer o projeto acontecer, principalmente o Bruno Faria. Penso que o papel da galeria nesse cenário seja divulgar, dar suporte, promover a arte contemporânea e, consequentemente, a liberdade de expressão”, ressalta Filipe Masini, diretor da Galeria Athena, no Rio de Janeiro, que representa os artistas participantes Desali, Laís Myrrha e Matheus Rocha Pitta.

Para a artista Brígida Campbell, o desenho é uma prática artística muito potente, pois tem a capacidade de criar diálogos entre os pensamentos que flutuam dentro da mente e o desejo de dar forma a eles. “Desenhos podem ser muitas coisas e vão desde linhas sobre o papel até um gesto no espaço. Para mim, o desenho vem sempre como uma ferramenta que me auxilia a pensar e a materializar as imagens que quero construir, independente da técnica final do trabalho”, explica.

Marcelo Drummond, artista e curador, ressalta que a exposição “Além do Traço” permite aos artistas pensar a presença do desenho em diversas pesquisas a partir de múltiplas vozes e dispositivos que cada um deles utiliza para desenvolver de maneira ampliada a constituição de seu discurso visual e plástico. “Somado a isso, acho muito interessante a proposição do Bruno por não se tratar de um curador, mas de um artista. Isso por si só cria uma lógica reversa, pois ele se apropria desse lugar a partir de sua percepção de eleger obras artísticas que pudessem ajudá-lo a discorrer sobre a presença do desenho a partir do traço, que é um elemento mínimo, e como ele se apresenta na pesquisa individual de cada um dos participantes”.

Segundo Marcelo, é muito interessante que essa iniciativa aconteça não em um circuito oficial de arte como museus, mas em um espaço independente que foge dessa lógica mercadológica do sistema artístico que costuma ter um estatuto fechado e muitas vezes rígido e intransponível. “São novos modos de congregar pessoas e pesquisas e eu acho isso espetacular, sobretudo nesses tempos bicudos em que estamos vivendo e precisamos pensar fora da curva. Então, ser convidado pra participar dessa exposição que foge da lógica enrijecida do sistema da arte é realmente uma experiência enriquecedora. Eu tenho certeza que o grupo que o Bruno reuniu com a sua sensibilidade vai denotar isso”, relata.

Para Nydia Negromonte, artista e gestora do ateliê Espai ao lado de Marcelo Drummond, a realização de mostras independentes como essa e a presença de espaços autônomos vêm sanar um pouco as lacunas que existem em Belo Horizonte no tocante às artes plásticas. “Aqui, a produção de artes visuais e a quantidade de artistas plásticos que existem, desejam e necessitam trabalhar é enorme. Não há galeria, museu ou instituição que contemple toda essa produção, então a existência de espaços independentes é necessária e é uma consequência natural de que este é um setor potente na capital mineira. Há uma necessidade, uma vontade de criação e realização por parte dos artistas que não acontece de forma externa, como um convite de uma instituição ou de um museu, mas de um artista, o Bruno, e de uma galeria independente, no caso a Mama / Cadela”, destaca.

De acordo com Nydia, a exposição é a publicação, é tornar pública uma ideia, um projeto, uma expressão, e tudo isso é uma reação do que estamos vivendo também no atual contexto político que despreza a arte e a cultura. “É do artista a observação de uma realidade traduzida e transportada para o território das artes visuais. Nós do Espai ficamos muito contentes por receber o convite do Bruno porque costumamos estar sempre nessa posição de quem convida, quem pensa, quem abre as portas, então é muito legal quando somos convidados. É maravilhoso poder contribuir numa ação dentro de um espaço autônomo que tanto admiramos”, finaliza.

Data: de 07 de novembro a 06 de dezembro

Local: Galeria Mama / Cadela

Rua Pouso Alegre – 2048 | Santa Tereza – Belo Horizonte

*Visitação com horário agendado pelo e-mail contato@mamacadela.com.br