
A artista de dança investiga a força dos pequenos movimentos. BH recebe a Corpo instalação Pequenas Mortes (Procedimento Dois), da artista de dança paulistana Vera Sala, que ocupa o Espaço Cultural Ambiente com uma obra que põe em evidência o corpo como meio expressivo: ao mesmo tempo obra e espaço ritualístico. Depois de estrear em São Paulo, em 2008, e passar por Curitiba, o projeto traz uma reflexão sobre a potência das mortes em vida, das pequenas, silenciosas e devastadoras mortes de todos os dias.
A bailarina traz um corpo que se desmancha e se reconfigura a todo instante, mostrando que a instabilidade é a única possibilidade da existência. Me interessa a fragilidade, a dissolução de fronteiras entre vida e morte. Não a morte como algo final, mas como mudanças de estados, comenta a artista. A entrada é franca. No dia 30 de julho, logo após a performance, haverá um bate-papo sobre Corpo Instalação, com Vera Sala e equipe com a participação da pesquisadora de dança Thembi Rosa.
Em "Pequenas Mortes" (Procedimento Dois), Vera Sala integra uma estrutura composta por chapas de inox espelhadas (côncavas e convexas) e projeções de vídeos. Nela, os olhares do público se cruzam em um espaço de sons, luzes, espelhos e frestas, fruto da pesquisa que desenvolve na área de dança desde 1987. Ao entrar, o visitante pode variar seus modos de apreciar. O reflexo das chapas estabelece um jogo de desaparecimento dos limites do que é real e do é imagem refletida, do que é dentro e do que é fora, explica a artista que retorna a BH depois de três participações com trabalhos anteriores no FID BH - Fórum Internacional de Dança, ao longo da trajetória do evento. Desde 2007, trabalha em parceria com o arquiteto Hideki Matsuka na criação das instalações e o musico Daniel Fagundes na construção das sonoridades que integram a obra.