Di Souza fecha o ano com foco no disco novo e nos preparativos para o Carnaval

Multiartista mineiro realizou dez apresentações entre setembro e dezembro, que marcaram sua volta aos palcos; foco agora é no segundo disco solo e nos preparativos para os quatro blocos carnavalescos em que participa como maestro

Foram dez apresentações entre outubro e dezembro de 2019, que marcaram definitivamente o retorno de Di Souza aos palcos. Terminada a maratona, o compositor, multi-instrumentista, arranjador, professor e maestro carnavalesco prepara-se para focar esforços em seu segundo disco solo, o sucessor do elogiado “Não Devo Nada Pra Ninguém” (2015). O álbum, cujas bases foram gravadas em novembro, termina de ser concebido em fevereiro de 2020 e deve sair no segundo semestre, com direito a clipes e show de lançamento.

O mês de fevereiro, inclusive, é bem marcante para Di Souza. Afinal, o multi-artista, que é um dos integrantes do bloco Então Brilha, é conhecido por sua atuação ativa no Carnaval de rua de BH. “Hoje, além do Brilha, sou maestro dos blocos Haja Amor, Abre-te Sésamo e Circuladô. Também sou fundador dos blocos Pisa na Fulô e É o Amor. Agora já é hora de bolar os repertórios do ano que vem, prova de que o Carnaval começa cada vez mais cedo”, afirma, ressaltando a importância do bloco Circuladô, formado por estudantes da Percussão Circular, sua escola de música. “A execução do desfile do Circuladô é uma grande conquista”, afirma.

O trabalho à frente da Percussão Circular ficou bastante em evidência com o espetáculo “Tum Pá”, que aconteceu no dia 7 de dezembro, no Sesc Palladium. “Para mim, foi o grande destaque dessa maratona de shows. Foi o que mais me marcou. Um acontecimento histórico, mais de 200 pessoas em cima do palco tocando percussão”, relembra o maestro, pontuando que o elenco do espetáculo é todo formado por estudantes da Percussão Circular. “Agora fazemos uma pausa, mas em janeiro voltamos com os trabalhos para o desfile do Circuladô e, depois do Carnaval, abriremos novas vagas”, adianta.

Disco novo

Sobre o novo álbum, Di Souza conta que será um trabalho “com uma tonalidade muito festiva e crítica ao mesmo tempo”. “Vai tocar em questões como o moralismo, a prepotência linguística da comunidade intelectual”, sublinha. “Pretendo lançar singles com clipes, antes do disco cheio, e também fazer um show de lançamento com a potência cênica que marca o meu trabalho”, completa, ressaltando que o álbum está sendo gravado no Estúdio Motor, em Belo Horizonte.

“Vai ser um disco mais consistente, com um processo estruturado. A sonoridade está mais limpa, mais pop. Têm alguns funks, um rock, um pouco de brega também. Um disco com muitas guitarras e beats eletrônicos e uma versão do hino do bloco da Alcova Libertina”, adianta Di Souza. “Estamos gravando com uma banda fixa, que me acompanha nestes últimos anos. Estamos todos mais maduros. Inclusive o próprio Rafael Dutra (produtor musical), grande parceiro, que também gravou o primeiro disco”, assinala.

Di Souza lembra ainda que o álbum foi financiado pela empresa de um batuqueiro de Divinópolis, que aprendeu a tocar com ele, no Carnaval. “Aprovamos o projeto na lei estadual e não estávamos conseguindo patrocínio. Até que esse batuqueiro, muito querido, disse que sua empresa queria patrocinar. Fico muito gratificado por essa sorte que tive”, afirma. “Simbolicamente, acaba sendo algo como uma retribuição do Carnaval. Um agradecimento do universo, depois de trabalhar por tanto tempo pelo Carnaval, grande parte desse período sem remuneração”.

Sobre Di Souza

Artista de muita expressividade, Di Souza traz na bagagem a experiência de vida de quem nasceu na roça, criou-se na favela e habita a cidade grande. Cria da ONG Querubins, começou a dar aulas de percussão no projeto Corpo Cidadão, do Grupo Corpo, antes de formar o Então Brilha, hoje um dos maiores blocos carnavalescos de BH. Figura singular no reflorescimento do Carnaval de rua da cidade, além de reger o Brilha, fundou outros cinco importantes blocos da cidade, além de influenciar carnavais intermunicipais através de oficinas e cursos de formação desde 2012.

Como percussionista, gravou em mais de 25 discos e já integrou cerca de 15 bandas da cena musical independente de BH. Como diretor musical, assina três álbuns e três shows de novas bandas. Como educador, possui 15 anos de bagagem em diversos projetos formativos em Minas Gerais. Em 2013, fundou sua própria metodologia de educação musical, que desaguou na Percussão Popular. A escola, hoje com sede própria e mais de 200 participantes, realiza diversos eventos, além de oficinas de musicalização e percussão.